Desenvolvimento da Personalidade

Á medida que os indivíduos crescem desenvolvem padrões de hábitos ou respostas condicionadas a vários estímulos. A soma desses padrões de hábitos constitui a sua personalidade.

Muitos psicólogos sustentam que a personalidade dificilmente pode ser modificada após a idade adulta. Alguns afirmam que a personalidade é sustentada até os 07 anos de vida de uma pessoa. O fato é que apesar de possível a mudança em pessoas mais velhas a mesma só é alcançada mediante condições dirigidas e após longo espaço de tempo. O mesmo trabalho efetuado em pessoas mais jovens poderá obter-se resultados mais produtivos e rápidos. Por isso o administrador deve lidar com as diferenças de idade de seus subordinados afim de conseguir lidar com todas elas.

A hierarquia das necessidades

Abraham Maslow defende a tese de que existe uma hierarquia para explicar a intensidade das necessidades humanas.

Fisiológicas: aparecem no degrau mais alto da hierarquia. Tendem a ser mais intensas enquanto insatisfeitas. São necessidades de subsistência como: alimento, moradia, roupa. Enquanto não adquiridas permanecerão no degrau mais alto e as outras necessidades pouco terão motivação.

Segurança: Necessidade de auto preservação. Estar livre de perigos e da privação de necessidades fisiológicas.

Social: Como as pessoas são seres sociais há a necessidade de aceitação em grupos sociais. Após essa aceitação há o desejo de ser mais que um simples membro do grupo ai passamos para a próxima necessidade da hierarquia.

Estima: Desejo de reconhecimento. A maioria das pessoas tem uma necessidade de uma elevada valorização de si mesmas, firmemente baseada na realidade, ou seja, no reconhecimento e no respeito dos outros. Essa sensação produz sentimentos de confiança , prestígio, poder e controle. O fato de algumas pessoas não atingirem esse objetivo pode leva-la a comportamentos destrutivos ou imaturos. Um empregado pode negligenciar seu trabalho ou discutir com companheiros e chefe.

Auto Realização: Segundo Maslow: – O que um homem pode ser deve sê-lo. Portanto auto realização é a necessidade de torna-se tudo aquilo que se é capaz.

Um exemplo interessante deste item é a de um soldado em batalha. Ele avança para um ninho de metralhadoras a fim de destruí-lo. Ele sabe que as chances de sobrevivência são pequenas, mas mesmo assim o faz pois não busca reconhecimento. Busca algo que julga ser mais importante. Nesse caso, podemos dizer que o soldado se auto-realiza, maximiza o potencial do que é importante para ele em tal momento.

A maneira de expressar a auto realização muda ao decorrer da vida. Hoje possuímos uma certa necessidade, mas com a aquisição de novas experiências estas modificam-se e buscamos outras realizações em outras áreas e campos.

Ë claro que esta escala não pode ser generalizada já que os desejos são totalmente individuais, ou sejam, variam de pessoa pra pessoa. Um exemplo claro disso é o jejum de Mahatma Ghandi que permanecia sem alimentar-se em protesto a dependência da Índia á Grã Betanha. Assim estava satisfazendo sua necessidade de auto realização deixando as outras insatisfeitas.

  

Clare W. Graves desenvolveu uma teoria que parece ser compatível com a de Maslow. Graves sustenta que os seres humanos existem em diferentes “níveis de existência”. Em qualquer desses níveis, o indivíduo apresenta o comportamento e os valores característicos das pessoas daquele nível. Uma pessoa concentrada num nível inferior não consegue sequer entender as pessoas que estão num nível superior. Ainda, segundo esse autor, “muitas pessoas foram confinadas a níveis inferiores de existência em que são motivadas por necessidades comuns a outros animais. Hoje o homem ocidental parece estar prestes a elevar-se a um nível de existência superior, um nível caracteristicamente humano. Quando isso acontecer, provavelmente haverá uma grande transformação das instituições humanas”

A pesquisa dos motivos

 

Após discutirmos a hierarquia das necessidades de Maslow, podemos agora examinar os motivos e os incentivos que nos levam até elas.

 

Necessidades fisiológicas

 

A satisfação das nossas necessidades fisiológicas está muito associada ao dinheiro. Apesar de alguns pesquisadores reforçarem a tese de que o mesmo não está ligada somente a esse campo mas a outros também é difícil definir sua importância. É claro que o mesmo não pode influenciar nos campos de auto realização de forma direta mas pode por exemplo possibilitar ao indivíduo formas de conquistar a auto realização. Por exemplo, um indivíduo que busca sucesso profissional poderá cursar uma faculdade para alcança-lo, e para isso pode utilizar do dinheiro para pagar o curso.

Necessidades de Segurança

Aprendemos que nem sempre os motivos são conscientes para as pessoas. Por isso, segundo Saul W. Gellerman, a necessidade de segurança existe sob duas formas:

Conscientes: Fáceis de identificar. São aquelas que definem-se em medo de violência, morte, acidentes, guerras, doenças e instabilidades econômicas, assim como também medo de estar sozinho. A intensidade deste motivo é tão forte que torna-se uma das principais preocupações de lideres de estado que tomam medidas diversas para satisfazer essa necessidade em sua população. O grande perigo destas medidas vem quando os governantes utilizam-se destes meios para tornar sua população dócil e fácil de manipular. Ou seja, quando um governante proporciona por exemplo maior segurança para sua cidade, mesmo que esteja cometendo erros em outros campos será difícil ser contrariado pois dificilmente alguém irá querer perder a estabilidade que o mesmo proporciona. Geralmente usa o fator como manipulador. Um exemplo claro disso é a ênfase em programas de bem estar social, deixando de lado programas de incentivo á educação e ao desenvolvimento do raciocínio.

Outra exemplo de uso negativo da necessidade segurança é a de uma empresa que a salienta para seus funcionários acima de outras perspectivas. Assim dificilmente conseguirá profissionais ousados e dinâmicos. Esse quadro poderá reverter-se se a mesma adotar posturas positivas mediante esses “benefícios”. Se utiliza-los como negativamente como por exemplo: ameaças de demissão ou de “perda das seguranças” terá sempre subordinados previsíveis e conservadores.

Apesar disto Gallerman afirma que provavelmente o fator segurança ela não será o motivo predominante de uma pessoa. As necessidades conscientes de segurança exercem um papel de fundo, servindo mais para inibir ou restringir impulsos do que para desencadear movimentos externos.

Inconscientes: Gellerman discute várias maneiras pela qual ela pode se originar. Ela geralmente origina-se na infância, com os pais, em sua maioria em áreas subdesenvolvidas, onde há poucas perspectivas de melhoria, ou quando os pais apresentam superproteção, buscando sempre proteger seus filhos de conflitos a qualquer custo.

Pessoas que recebem esse tipo de educação geralmente não acreditam em sua capacidade de influenciar o meio em que vivem. Costumam ser muito amáveis, incopetitivas, não criam problemas de convivência por não apresentarem riscos aos seus companheiros. Criam uma imagem distorcida da realidade, mesmo em situação de perigo sempre acredita que está tudo bem, até que seja tarde demais.

Necessidades de associação ou de filiação: Como seres sociais o homem tende a procurar participar de grupos e ser aceitos por eles. Um estudo feito por Stanley Schatter, da Universidade de Minessota, mostra que muitos indivíduos procuram a socialização sem busca de recompensas do tipo dinheiro ou proteção.

Conclui ainda que muitas pessoas procuravam outras com idéias semelhantes. Um indivíduo que está de bem com a vida procura pessoas no mesmo estágio, assim como pessoas que estão de mau com a vida procuram pessoas rancorosas e infelizes para sua convivência. A razão disso é a busca pela aceitação de suas idéias e pensamentos.

Além desses dois “grupos de pessoas” Schatter estudou outro dois tipos de grupos: os chamados “puxa sacos” que são solitários e verificou não existir nenhuma necessidade universal de participação social por considerarem seguras e competentes para cuidar de si mesmas.

Outro grupo que mencionamos foi os do informais. Geralmente mal vistos pelos administradores por apresentarem riscos a produtividade da organização. Tudo varia dos motivos que levam esses indivíduos a comportarem-se dessa forma. Más condições de trablaho, pouca ou nenhuma comunicação com a administração ou impossibilidade de controle com seu meio de trabalho podem ser motivos para o desenvolvimento desse tipo de comportamento. A solução desse problema é tornar os objetivos do grupo comum aos da empresa e vice-versa. Assim o administrador pode utilizar o forte potencial desse grupo de forma inteligente.

Necessidades de auto estima

 

Existem dois motivos relacionados com a auto estima:

Prestígio: Gellerman descreve-o como uma “espécie de definição não-escrita de formas de comportamento esperadas das outras pessoas em nossa presença: o grau de respeito ou desrespeito, formalidade ou informalidade, reserva ou fraqueza”.

O mesmo é algo conferido a alguém pela sociedade. Uma pessoa pode adquiri-lo pelos laços familiares, ou seja, se um filho de um pai famoso conseqüentemente herdará a fama. Geralmente a intensidade da busca de prestígio tende a diminuir tornando-se apenas uma certa “manutenção” do mesmo pelo indivíduo, sem preocupação de aumenta-lo. Assim somente pessoas fora do normal buscam prestígio internacional, tornando-se mais intensa nos mais jovens que em sua maioria são insatisfeitos com seu status na vida. Os mais velhos acreditam que já chegaram lá e por isso contentam-se, acreditando pouco ser possível as mudanças para melhora de seu prestígio.

Poder: Adler, (colega de Freud) interessou-se pelo estudo do motivo poder. Segundo Adler o poder consistia na capacidade de manipular ou controlar as atividades de outros. O pesquisador verificou que essa capacidade começa bem cedo, com o controle dos bebês sobre os pais. Através do choro percebem a capacidade de manipulação que torna-se intrinsecamente agradável. Apesar disso os bebês o fazem para sobrevivência já que necessitam dos pais para sobreviverem. Isso adquire tal importância que muitas vezes torna-se difícil para o indivíduo abandona-lo quando crescem e sentirem-se obrigados a cede-los para os pais.

Depois da infância o motivo intensifica-se em pessoas que de certa forma sentem-se incapazes de obter respeito e reconhecimento dos outros. Adler então introduziu dois conceitos novos: complexo de inferioridade e compensação, ou seja, um individuo busca realização interna através da externa realizando atividades que internamente não acreditava ser capaz de realizar.

Adler observou outra coisa interessante. Quando as crianças não enfrentam uma tensão muito grande á medida que vão amadurecendo, sua necessidade de poder transforma-se gradativamente num desejo de aperfeiçoar suas relações sociais. Querem ser capazes de interagir com os outros sem medo ou desconfiança, num clima de abertura e confiança.

Necessidades de auto realização

 

Apesar de pouco conhecida pela fato das pessoas satisfazerem essa necessidade de formas diferentes foram feitas amplas pesquisas sobre dois motivos que julgamos relacionados com ela:

Competência: Segundo Robert W. White, a competência implica em um controle sobre os fatores do meio, tanto físicos como sociais.

Em crianças bem pequenas já podemos identificar esse motivo. Ao invés da maioria das crianças que procuram tocar tudo que está em seu alcance as mesmas procuram também separar e novamente reunir as coisas. Tomam consciência do que são e do que não são capazes de fazer. Nessa fase adquirem o sentimento de competência.

Apesar de adquirida não se torna permanente e vice-versa. Um indivíduo que agrega conquistas em sua vida acredita muito mais em sua competência do que um que agrega derrotas. De acordo com White para os adultos o motivo de competência desenvolve-se no trabalho onde o nível de concorrência é alto. Já num trabalho rotineiro e monótomo isso não há competitividade, tornando o trabalhador dependente do sistema o que pode levar pessoas com elevadas necessidades de competência a frustrações.

Realização: As pesquisas de McClelland levaram-no a acreditar que a necessidade de auto realização é um motivo humano distinto, que pode ser isolado de outras necessidades humanas.

As pessoas portadoras dessa necessidade não procuram atitudes fáceis (como os conservadores que buscam ações com pequenos riscos de fracasso para que assim não sejam condenados por suas derrotas) e nem atitudes difíceis (como os jogadores que apostam alto pois o resultado está além de seu poder descartando assim qualquer resultado negativo de sua responsabilidades social). As mesmas procuram situações intermediárias pois acreditam que sua capacidade influirão no resultado.

Outra característica interessante das pessoas motivadas pela realização é a de que pouco importam-se com os resultados. Não as rejeita mas tornam-se menos importantes que as realizações em si, emocionando-se mais na resolução do problema do que no prêmio recebido.

O desejo que tais pessoas sentem de procurar situações em que possam receber um feedback concreto sobre seu grau de desempenho está estreitamente relacionado com essa preocupação de auto realização. Não se mostram interessadas em comentários sobre suas características pessoais – por exemplo, se são consideradas cooperativas, prestativas ou não. Por isso encontramos freqüentemente essas pessoas em  funções de vendas, proprietárias ou gerentes.

McClelland observou também que a probabilidade de desenvolvimento dessa personalidade ocorrer em família. Pais que costumam dar independência aos seus filhos entre 6 e 8 anos, criando situações onde seus filhos tenham que administrar pequenos problemas esperam que os mesmos desenvolvam as mesmas características de auto realização que possuem. Por outro lado, pais que protegem demais seus filhos tornando seus filhos muito dependentes. O segredo é não extremar nenhum dos âmbitos, fazendo com que a criança torne-se independente porém segura.

As pessoas impelidas desse desejo são a espinha dorsal das empresas mas podem tornar-se líderes impacientes e não desenvolverem formas complemente eficazes de liderança. Isso porque o fato de estarem acostumadas com o fato de trabalharem até o limite de sua capacidade, esperam que o outros façam o mesmo e com isso frusta essas pessoas. O ideal é que o administrador saiba trabalhar todos os âmbitos das necessidades descritas por Maslow.

~ por leriostyle em maio 2, 2010.

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