A EVOLUÇAO DA MOEDA

 

1. O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DA MOEDA

 

Não existe nada mais difícil do que tentar definir algo que todos nós sabemos do que se trata, mas sobre cujo real significado nunca paramos para pensar. E é nestes momentos que começam a surgir perguntas da mais variadas, desde a sua origem até o complexo sistema que se criou a sua volta.

Mas afinal, o que é moeda?

Segundo Wassily Leontieff (economista russo, Prêmio Nobel de Economia em 1973), a moeda é a “mercadoria que serve de equivalente geral para todas as mercadorias”.

 

 

1.1 A origem e evolução da Moeda.

A origem e a evolução da moeda pode ser seccionada em seis fases distintas:

  • o Era da Troca de Mercadorias

Nos primórdios tempos, o homem vivia em pequenas comunidades de uma única família, e se utilizava de vegetação e da caça disponíveis na região onde habitava. Esses recursos eram os únicos com os quais contava para a sua subsistência. Essas minúsculas comunidades, entretanto, foram crescendo e começaram a se desmembrar em outros núcleos de famílias, cada uma procurando formar a sua própria fronteira, delimitando as suas áreas para o plantio de alimentos e a caça. Esses núcleos, entretanto, não produziam todos os mesmo produtos. Iniciava-se assim o processo primitivo de divisão do trabalho e especialização. Enquanto uns se dedicavam à caça, outros se dedicavam à produção de tubérculos, outros ainda se especializavam no plantio de grãos e assim por diante.
Essa racionalização das atividades fez com que os núcleos passassem a trocar o excedente resultante da especialização. Assim, uma boa caça era trocada por uma quantidade razoável de grãos; por outro lado, uma quantidade razoável de grãos poderia ser trocada por um número considerável de frutas, ou então por uma produção de tubérculos. Nas mais primitivas culturas, portanto, as economias funcionavam à base do escambo – a troca simples de mercadorias.

  • o Era da Mercadoria Moeda

Com o passar do tempo, a evolução da sociedade impõe a necessidade de se facilitar as trocas. Os indivíduos, então, passaram a eleger um único produto como referencial de trocas: uma mercadoria que tivesse algum valor e que fosse aceita por todos. Para que isso ocorresse a mercadoria eleita como moeda deveria atender a uma necessidade comum e ser rara o bastante para que tivesse valor. Com a passagem das trocas diretas, de um produto por outro, para as indiretas, intermediadas por algum outro bem aceito por todos, com um certo valor intrínseco, passou-se para a chamada era da “Mercadoria-Moeda”. Neste período, vários tipos de produtos forma utilizados como referencial das relações de trocas de mercadorias, tais como o gado, fumo, azeite de oliva, escravos, sal, etc. O gado, ao longo do tempo, se mostrou como a Mercadoria-Moeda mais utilizada, tendo dado origens a termos atualmente utilizados, como :

A grande vantagem que ele apresentava era que, enquanto os indivíduos o guardavam como uma poupança, essa “moeda” aumentava por meio da reprodução, ou seja, “rendia juros”. Mas, por outro lado, essa mesma “moeda” apresentava uma grande desvantagem : como dividir um boi para comprar arroz, feijão, cebola, sal, etc.?

Em suma, o gado não podia ser dividido em trocados.

De modo geral, para que uma mercadoria possa ser utilizada como moeda,  ela deve ter várias qualidades, dentre as quais destacam-se:

  •  
    • Durabilidade : ninguém aceitaria como moeda algo que fosse perecível;
    • Divisibilidade : a mercadoria eleita como moeda deve poder subdividir-se em pequenas partes, de forma que tanto as transações de grande porte quanto as de pequenos portes possam ser realizadas;
    • Homogeneidade : qualquer unidade da mercadoria eleita como moeda deve ser rigorosamente igual às outras unidades dessa mercadoria;
    • Facilidade de manuseio e transporte : a utilização do bem eleito como moeda não pode ser prejudicada em função de dificuldades de manuseio e transporte.

Ao longo da história da humanidade um grande número de produtos têm sido utilizados como Mercadoria-Moeda, cada um deles apresentado vantagens e desvantagens. A cerveja, por exemplo, não melhora com o armazenamento, ao contrário do vinho que tende a melhorar; o azeite de oliva serve como uma bela moeda líquida que pode ser dividida em partes pequenas; o ferro enferruja; o valor de um diamante perde seu valor ser for dividido.  Apesar de as Mercadorias-Moeda terem facilitado um pouco o dia-a-dia dos indivíduos, muitas dificuldades ainda persistem, ressaltando a necessidade de se encontrar uma forma mais simples que facilitassem as transações comerciais.

  • o Era da Moeda Metálica

De maneira geral, pode-se dizer que os metais foram as mercadorias cujas características essenciais mais se aproximavam das características que se exigem dos instrumentos monetários. Inicialmente, os metais empregados como instrumentos monetários foram o cobre, o bronze e, em especial, o ferro. Com o passar do tempo, entretanto, esses metais foram deixados de lado, pois não serviam como reserva de valor. Em outras palavras, a existência em abundância desses metais, associada a descoberta de novas jazidas e ao aperfeiçoamento do processo industrial de fundição fez com que tais metais perdessem gradativamente seu valor. Por essas razões é que os metais chamados não nobres forma pouco a pouco substituídos pelos metais nobres, como ouro e prata. Estes dois metais são definidos como metais monetários por excelência, uma vez que suas características se ajustam adequadamente às características que a moeda deve ter. A utilização do ouro e da prata nas transações comerciais acabou trazendo grandes vantagens.

As moedas metálicas permitiam ainda às pessoas guardá-las esperando a melhor oportunidade para trocá-las por algumas mercadorias. Isto era possível pois, tanto o ouro como a prata eram metais suficientemente escassos, e a descoberta de novas jazidas não chegava a afetar o volume que se encontrava em circulação. Este aspecto fazia com que estas moedas mantivessem estável o seu valor ao longo do tempo. Apesar das grandes vantagens apresentadas pela moeda metálica, existia, à época, um inconveniente: o transporte a longas distâncias, em função do peso das moedas e dos riscos de assalto a que estavam sujeitos os comerciantes durante suas viagens. Para contornar este problema, especialmente após o século XIV, com o crescimento dos fluxos comerciais da Europa, iniciou-se a difusão de um instrumento monetário mais flexível: a moeda-papel.

  • o Era da Moeda Papel

A moeda-papel veio eliminar, portanto, as dificuldades que os comerciantes enfrentavam em seus deslocamentos pelas regiões européias, facilitando a efetivação de suas operações comerciais e de crédito, especialmente entre as cidades italianas e a região de Flandres. A sua origem está na solução encontrada para que os comerciantes pudessem realizar os seus empreendimentos comerciais. Ao invés de partirem carregando as moedas metálicas, levavam apenas um pedaço de papel denominado de Certificado de Depósito, que era emitido por instituições conhecidas como Casas de Custódia, e onde os comerciantes depositavam as suas moedas metálicas, ou qualquer outros valores, sob a garantia. No seu destino, os comerciantes recorriam às casas de custódias locais, onde trocavam o certificado de depósitos por moedas metálicas. O seu uso acabou se generalizando de tal forma que os comerciantes passaram a transferir os direitos dos certificados de depósitos diretamente aos comerciantes locais, fazendo com que esses certificados tomassem o lugar das moedas metálicas. Estava assim criada a nova moeda, 100% lastreada e com a garantia de plena conversibilidade, a qualquer momento, pelo seu detentor, e que tornou-se, ao longo do tempo, no meio preferencial de troca e de reserva de valor.

  • o Moeda Fiduciária ou Papel-Moeda

Com o passar do tempo, as casas de custódias, que recebiam o metal e forneciam certificados de depósitos (ou moeda-papel), totalmente lastreadas, começaram a perceber que os detentores desses certificados não faziam a reconversão ao mesmo tempo. Além disso, enquanto alguns faziam a troca de moeda-papel pelo metal, outros faziam novos depósitos em ouro e prata, o que acabava por ensejar novas emissões. Assim é que, gradativamente, as casas de custódias passaram a emitir certificados sem lastro em metal, dando origem à moeda fiduciária ou papel-moeda. O papel-moeda, como sempre tinha sido, contava com a livre conversibilidade em ouro. A emissão de papel-moeda por particulares, entretanto, acabou por conduzir esse sistema a ruína. Devido a isso, o Estado foi levado a assumir o mecanismo de emissões, passando a controlá-lo.  Consequentemente, passou-se à emissão de notas inconversíveis. Hoje, a maioria dos sistemas fiduciários, apresentando as seguintes características:Inexistência de lastro metálico; Inconversabilidade absoluta e Monopólio estadal das emissões.

  • o Moeda Bancária ou Escritural

Com a evolução do sistema bancário desenvolveu-se uma outra modalidade de moeda : a moeda bancária ou escritural. Ela é representada pelos depósitos a vista e a curto prazo nos bancos, que passam a movimentar esses recursos por cheques ou ordens de pagamento. Ela é chamada  de escritural uma vez que diz respeito aos lançamentos (débitos e créditos) realizados nas contas correntes dos bancos.

1.2 Funções e características da Moeda.

O conceito de moeda pode ser entendido a partir das funções que ela desempenha. Portanto, é considerado moeda tudo aquilo que exerce simultaneamente as funções de:

  • Meio ou instrumento de troca
  • Medida de valor
  • Reserva de valor
  • Padrão de pagamento diferido

 

Para que a moeda possa desempenhar suas funções básicas, ela deve possuir um conjunto de características que são:

  • Indestrutível e inalterável
  • Homogêneo
  • Divisível
  • Transferível
  • Facilidade de manuseio e transporte

 

2. O Equilíbrio no Mercado Real – Curva is

 

Supondo-se, no lado real da economia, uma dada função Consumo, uma função Poupança, uma função Investimento e um dado nível de Gastos do Governo, tem-se um conjunto de taxas de juros e níveis de renda de equilíbrio.

Para níveis de juros mais baixos, tem-se níveis de investimento maiores e, consequentemente níveis de renda mais elevados, e para dado nível de juros mais elevados, observa-se uma queda no investimento e na renda.

Observa-se que quando aumentam os Gastos do Governo, para uma dada taxa de juros, tem-se um nível de renda de equilíbrio maior. Analogicamente, um aumento nos impostos ou uma diminuição de gastos do governo tem o efeito inverso.

A curva IS é o conjunto de pontos de equilíbrios no mercado de bens e serviços. É onde ocorre a igualdade entre a oferta agregada e a demanda agregada de bens e serviços.

A curva IS é deslocada por todas as variáveis exógenas (variações em G, T, C, I) que não são induzidas pela variação de renda.

Não deve ser confundida uma variação induzida ( que seria um movimento ao longo da curva IS, motivada por alterações de i e Y) com uma variação autônoma ou exógena ( que representa um deslocamento da curva IS). Assim, um aumento do Consumo, devido a um aumenta da Renda, é uma variação induzida ao longo da IS; todavia, um aumento do Consumo, devido a um aumento de patrimônio, é uma variação exógena, deslocando a IS.

3. Teoria Keynesiana da Demanda de Moeda

 

Existem três fatores que determinam a demanda por moeda:

a)    Demanda de moeda por motivo transacional: decorre do fato de os indivíduos terem a necessidade de utilizar a moeda para o pagamento de suas transações. Depende do nível de renda;

b)    Demanda de moeda por motivo precaucional: além do motivo transação, as pessoas detêm moeda por motivo de precaução, como proteção contra acontecimentos inesperados, tais como desemprego, doença, etc. Da mesma forma que a demanda transacional, a demanda precaucional depende da renda, sendo proporcional a ela;

c)    Demanda por moeda para especulação: fundamenta-se na taxa de juros. Se a taxa de juros está baixa, o custo de oportunidade de manter o dinheiro como “saldo de caixa” também será baixo. O raciocínio de Keynes fundamenta-se na relação entre os preços de mercado dos títulos de renda fixa e as taxas de juros ganhas pelos que detinham tais títulos.

 

 

 

4. O Equilíbrio no mercado Monetário – curva lm

A Curva LM (Liquidity – Money)  é o conjunto de combinações de taxa de juros (i) e renda (Y) que equilibram o mercado monetário, isto é, onde  Oferta da Moeda é igual a Demanda de Moeda (Ms = Md). A inclinação da curva LM é positiva ( relação direta entre i e Y ).

Por exemplo, dado um aumento na taxa de juros i, cai a demanda de moeda por especulação. Como a oferta de moeda é fixada, sobra mais moeda para transações, as pessoas gastam mais, a demanda agregada aumenta e cresce também o nivel de renda Y. Portanto:  i       Y  

Fatores que afetam a inclinação da curva LM: declividade da demanda de moeda por transações e precaução; declividade da demanda de moeda por especulação.

No lado monetário da economia, tem-se que para um dado nível de renda, haverá uma demanda de moeda para transação. À medida que aumenta a renda, aumenta a demanda de moeda para transação. Se o estoque de moeda for fixo, o aumento de renda provoca um aumento da taxa de juros, pois como aumentou a demanda de moeda, aumenta o preço da moeda, que é a própria taxa de juros. Dessa forma, níveis de renda maiores implicam uma taxa de juros maior ou igual.

A curva LM é deslocada pelos fatores autônomos ou exógenos que venham a deslocar as curvas de oferta e demanda de moeda, tais como:

a)    Oferta de Moeda (Ms) – afetada por alterações de política monetária, como mudança na taxa de reservas obrigatórias, política de “open market”;

b)    Demanda de Moeda  por Transações e Precaução ( Mt) – afetada por variações nos hábitos de coletividade, no grau de verticalização ou expectativas sobre a inflação futura, que afetam a velocidade da moeda;

c)    Demanda de Moeda por Especulação (Ma) – alterada por variação nas expectativas sobre a rentabilidade futura de títulos.

Em geral, a Curva LM sofre um deslocamento:

a)    para a Direita, se houver um aumento na quantidade de moeda ou uma diminuição na demanda de moeda;

b)    para a Esquerda, se a oferta monetária diminuir ou houver um aumento na demanda de moeda.

~ por leriostyle em maio 2, 2010.

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